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2 de ago de 2010

Um Clint Eastwood mais rabugento


Quem me conhece sabe que filmes como Gran Torino, de Clint Eastwood, que envolve gangues e violência, não fazem muito meu tipo. (Detalhe que, a violência em filmes de terror é muito diferente nos filmes de drama, que tem violência). Mas Gran Torino tem um roteiro bom, atuação grandiosa de Clint, que mostra que, apesar das diferenças, é sempre bom e recompensador ajudar o próximo.

Clin Eastwood dirige e atua, interpretando Walt Kowalski, um veterano da guerra da Coréia, aposentado de uma fábrica de carros da Ford, totalmente americano e extremamente rabugento e de mal com a vida. Ele mora num bairro de classe média-baixa, sua esposa morreu recentemente, e não está nem um pouco feliz com os seus vizinhos, que a maioria são imigrantes asiáticos. Na casa ao lado, uma família asiática se muda, para o azar de Walt. A família tenta se aproximar de Walt, mas rabugento como é, ele não dá abertura. Porém, aos poucos, Walt e a família asiática começam a ficar mais próximos, ainda mais quando ele ajuda o filho tímido da família, Thao; além disso, uma gangue local começa a atormentar a família, principalmente Thao, forçando Walt a ajudar a família.

O que me fez gostar de Gran Torino foi o jeito que a história se desenrola. No início vemos um Walt rabugento, grosso, egoísta, que critica todo mundo, inclusive um padre. Mais para a metade do filme, vemos o mesmo Walt: rabugento, grosso, egoísta, criticando todo mundo, até um jovem padre; porém,  o egoísmo sai de cena, um pouco, e entra o sentimento. Não que o personagem não tenha, mas ele não demonstra; e depois, ele mostra para o espectador que é um homem de coração bom, e que é assim porque lutou em uma guerra e fez coisas horríveis. Ele começa  a se "enturmar" com os asiáticos quando ele salva Sue, irmã de Thao; e é ai que surge uma amizade entre ela e Walt. Com isso, ele vai entrando aos poucos na familia dos chineses, e conquistando o carinho e a atenção deles, mesmo ainda sendo rabugento. Para Walt, só importa ele e o preciosíssimo carro Gran Torino, de 1972, que ele mesmo arrumou quando trabalhava na Ford.  E Thao, apronta uma com o valioso carro, só para entrar na gangue do seu primo, sendo quase que obrigado. A mãe de Thao, pede para Walt que o seu filho trabalhe para ele, como forma de punição pelo que o filho fez. Uma nova amizade surge, dessa vez entre Walt e Thao. Ao perceber os esforços do garoto, o velho rabugento resolve ajuda-lo, a se tornar um "homem", nas maneiras antigas de ser homem; e logo depois, o ajuda sobre o futuro dele. Com tudo isso, o coração duro de Walt começa a se quebrar, e um sentimento pela família asiática aparece. E a fúria que ele tinha na guerra, retorna, quando a gangue do primo de Thao, ameaça ele e sua família. E para resolver isso, o que se pode esperar de um homem como Walt? É ai que  vem a surpresa, com o final que não se esperava, ou melhor, até se esperava, mas não da forma como Walt fez. E o que acontece com bendito Gran Torino de Walt? A neta dele está super ansiosa para ficar com o carro, e os pais contando com isso. E só saberemos na cena final do filme. Aliás, o que isso tem haver com a história? Tudo, ora! O nome do filme é Gran Torino, que é nome do modelo de 1972 do carro de Walt.  

Gran Torino não é um filme belo, e bom de se ver; é melancólico, o ambiente mostrado não passa alegria durante o filme todo. As poucas risadas que se tem, são da atuação de Clint Eastwood, que mesmo sendo rabugento e tudo que eu disse antes, ele consegue ser engraçado, um pouco sensível, e "desatualizado", ainda mais que ele é aquele americano das antigas. 

















Um comentário:

  1. Lindo texto!

    Mesmo quem não gosta do gênero, se entrega a Gran Torino não é mesmo? Clint aprofunda a história em nível máximo!

    O crescimento para melhor do interior de Walt é emocionante, como você diz: "entra o sentimento"! E cresce o nosso respeito pelo personagem!

    Que final é aquele? Que trilha... Que atuação...
    Gran Torino e altamente recomendável!


    Parabéns pelo texto Paulo Ricardo! Tinha assistido ao filme ano passado e pude me recordar ainda mais seus momentos!
    Abraço.

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