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14 de fev de 2011

A voz de um rei


VENCEDOR DO GLOBO DE OURO -MELHOR ATOR EM DRAMA

12 INDICAÇÕES AO OSCAR: MELHOR FILME, DIRETOR, ATOR, ATOR COADJUVANTE, ATRIZ COADJUVANTE, ROTEIRO ORIGINAL, TRILHA SONORA, EDIÇÃO, FOTOGRAFIA, FIGURINO, DIREÇÃO DE ARTE E MIXAGEM DE SOM.

Filmes sobre o reinado Britânico e coisas do tipo, nunca me chamaram atenção, e os que eu assisti, achei nada demais. Mas claro que, um filme indicado à 12 Oscar, o filme com mais indicações desse ano, além de ter Colin Firth no elenco, poderia ser diferente, e foi. Isso foi ajudado por ter um tema bastante interessante, e totalmente diferente em um filme assim: pessoas gagas. Imagina um Rei ser gago; ele que tem que fazer pronunciamentos ao vivo, onde sua voz tem que passar confiança para o seu povo. O filme britânico O Discurso do Rei (The King's Speech, 2011) é baseado em fatos reais sobre Albert Frederick Arthur George, o pai da atual rainha britância, Elizabeth II. 

O duque de York, Arthur George (Colin Firth) é gago desde os quatro anos, e ao longo de sua vida, não vem se importando muito com isso, já que ele não será o sucessor de seu pai no trono, e sim seu irmão Edward (Guy Pearce). Mas com seu pai ficando cada vez mais doente, e os escândalos que seu irmão anda fazendo, o duque começa a acreditar que ele será o sucessor do trono, mesmo não acreditando completamente. Sua esposa, Elizabeth (Helena Bohan Crater) começa a procurar vários especialistas para resolver o problema de seu marido, até encontrar o estranho médico Lionel Logue (Geoffrey Rush). Apesar de seus métodos estranhos, ele consegue a confiança da família real, e cabe a ele resolver o problema do duque, que em breve terá que enfrentar esse medo de gaguejar para o momento mais importante de sua vida, e da história da humanidade. 


O Discurso do Rei não é apenas um filme sobre à família Britânica que não faz nada, e vai muito mais além: ele mostra o medo e a superação de uma das pessoas mais importantes do mundo, de uma forma tão legal que prende a atenção do espectador. O principal responsável por isso é o excelente ator Colin Firth, que ganhou o Globo de Ouro de ator em drama por esse filme, além da indicação ao Oscar pelo mesmo. Ele se entregou totalmente ao papel, interpretando um rei gago como se ele realmente fosse um, mostrando suavidade, sutileza, e agressividade em alguns momentos, da forma mais natural possível. O seu parceiro de cena também esteve muito bem, mas não tanto quanto o protagonista: o médico Lionel Logue, interpretado por Geoffrey Rush, que também foi indicado ao Globo de Ouro, só que de ator coadjuvante, e está indicado ao Oscar na mesma categoria. Lionel é o médico que vai curar George, mas ele vai além disso: ele se torna um psicólogo ao ouvir seus problemas, e no final das contas, acaba se tornando um grande amigo do duque. Entre discussões e papos de amigos, além do estranho e engraçado tratamento de Lionel, os dois tem uma ótima química em cena, e levam o filme adiante sem nenhuma preocupação. E junto a essa dupla "de reis", está a esposa do duque, Elizabeth, interpretada por Helena Bohan Carter, esposa de Tim Burton, e que foi indicada ao Globo de Ouro de atriz coadjuvante e também ao Oscar na mesma categoria. Diferente das personagens que tem interpretado, ela está decente e atuando com sutileza, exatamente como  uma duquesa e futura Rainha. 


O roteiro do filme é simples e direto, e apresenta um momento histórico importante para a história da humanidade. A época que se passa o filme, é momentos antes de começar a Segunda Guerra Mundial, sendo essa parte mostrada mais para o final. Para dar um toque mais real sobre esse fato histórico, o diretor mostra o ex-duque assistindo cenas reais do ditador alemão Adolf Hitler, que acredito que estava falando sobre a guerra. Eu achei super interessante ressaltarem isso no filme, e fatos assim ajudam o filme a ser mais prestigiado. No início do filme, seria apenas um duque indo ao médico para curar sua doença, mas ao decorrer do longa, o duque terá  mais responsabilidades do que imaginava, e teria que fazer o tão esperado "discurso do rei" em um momento extremamente importante. E por fim, ainda falta ressaltar o excelente figurino, o cenário real e a belíssima fotografia mostrando muito bem a época dos anos 30. 


O Discurso do Rei é muito mais do que um filme mostrando a vida da família real, e quase nem é isso, e sim uma história de superação onde a voz de um homem é a coisa mais importante para uma nação. Em uma época onde um país estava à beira do início de uma terrível guerra, e pessoas precisavam de uma voz forte e confiante os confortando, um futuro Rei não tinha nada disso, e com uma ajuda nada certa, consegue fazer o tão importante discurso que mudaria não só a história de uma nação e o mundo, mas também a superação de um Rei com um problema que qualquer pessoa pode ter. O Discurso do Rei é um dos favoritos ao Oscar de melhor filme, mas acho que não vai ganhar o principal prêmio, já que não é um filme americano, e o Oscar é. O filme é um grande concorrente com o outro favorito, A Rede Social. E uma curiosidade, já que ressaltei aqui o filme do Facebook: O Discurso do Rei tem diálogo fácil de entender e bem mais devagar do que o filme de David Fincher, que tem um diálogo extremamente rápido e difícil de se acompanhar. O Rei gago ou o estudante falador nerd irá ganhar o maior prêmio do cinema? Dia 27 de fevereiro saberemos. 


TRAILER








2 comentários:

  1. Ainda que um trabalho MUITO convencional, redondo e nada inovador – mesmo assim, o filme é uma delícia de se ver. Cativa, diverte, emociona mesmo! É impressionante como eu gostei desse filme. Ainda mais pelo bom roteiro de David Seidler e da maneira como Colin Firth (que por sinal está maravilhoso, em momento INSPIRADO) conduz seu personagem. Geofrey Rush é seu contraponto perfeito, gosto muito das cenas de ambos, como você bem pontuou no texto.

    A direção de Tom Hooper é segura, aliado pela trilha sonora perfeita de Alexandre Desplat. Eu gostei do filme, só acho que não merece os Oscar de filme e direção – “Cisne Negro” ou mesmo “A Origem” que são, ao meu ver, merecedores disso. E eu gostaria de ver Helena Bonham Carter premiada por esse filme, mas por ser uma personagem contida, dificilmente isso ocorrerá.

    Abraço

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  2. Ótima crítica!!!

    Parabéns pelo blog!!!!

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