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18 de mar de 2011

O Caminho de volta para casa


Desde 2003, o premiado diretor Peter Weir estava sumido dos cinemas; seu último foi O Mestre dos Mares: O Lado Mais Distante do Mundo. É dificil um filme dele não ser bom; veja alguns exemplos: Sociedade dos Poetas Mortos (1989), Green Card - Passaporte Para o Amor (1990) e O Show de Thurman - O Show da Vida (1998). O novo trabalho do diretor é um drama que se passa durante a 2ª guerra mundial, Caminho da Liberdade (The Way Back, 2011). O filme mostra sete prisioneiros que fugiram e caminharam mais de 4.000 milhas (em torno de 6.000km), desde a Sibéria até a India. O filme é baseado em  fatos reais, e tem no elenco Ed Harris, Colin Farrel, Saoirse Ronan e Jim Sturges.

O filme começa em 1939. Jannuz (Jim Sturges) foi preso por se rebelar contra Stalin, e acabou indo numa prisão na Sibéria. Lá, ele encontra Mr. Smith (Ed Harris), um americano que teve o filho de 17 anos assassinado pelos soldados de Stalin. Os dois fazem amizade, e junto com outros prisioneiros, entre eles, o cruel Valka (Colin Farrell), escapam da prisão da Sibéria, com destino para a India. No caminho, eles encontram a menina órfã Irene (Saoirse Ronan), que acaba indo com eles na  jornada. São mais de 4.000 km que eles têm que caminhar, atravessando neve, desertos, florestas e montanhas, passando fome, sede e enfrentando os poderes da natureza; vai ser a viagem que mudará a vida deles. 



Caminho da Liberdade não é um dos melhores filmes de Peter Weir, e a forma como foi tratado o tema, poderia ter sido mais dramática. Mas o filme é muito bom, triste na parte final, e tem um final bonito. O desenrolar da história é bem interessante e nos leva à lugares lindos e perigosos, pensando no que vai acontecer com os personagens ao chegarem no seu destino. Será que serão presos? Será que vão morrer? Conseguirão chegar ao seu destino? O filme tem ótimas atuações, principalmente de Jim Sturges, Colin Farrel e Saoirse Ronan, que foi vista em Um Olhar do Paraíso, dirigido por Peter Jackson, ano passado. Todos os fugitivos se unem durante a viagem, ajudam um ao outro, e mostram que o ser humano é capaz de ser bom um com o outro, ainda mais no desespero que eles passam o filme todo: fome, sede, frio, calor, insolação, dor e muito mais; além de que todos sofreram por estarem presos. Cada personagem tem uma função no filme, e isso ajuda o grupo a ganhar forças para continuar a longa jornada. 


O grupo viaja mais de 4.000 km, e passa por lugares lindos e perigosos. O filme tem uma ótima fotografia, que muda desde a paisagem gélida da Sibéria, passando por um enorme lago, onde eles conseguem comida e água, até passarem por desertos escaldantes onde sofrem horrores, atravessando a muralha da China, até chegarem na India. Caminho da Liberdade foi indicado ao Oscar 2011 na categoria melhor maquiagem, mostrando os efeitos da insolação, da fome e da sede nos personagens. Realmente foi um trabalho muito bem feito, mostrando com realidade os efeitos colaterais que sofreram durante a viagem. O diretor não mostrou exatamente quanto tempo durou a viagem, mas com certeza foram anos.


Caminho da Liberdade mostra ainda um pouco sobre a segunda Guerra Mundial, e as invasões de Stalin e Hitler na Polônia, além de todo o temor que os dois ditadores faziam sobre as pessoas. Mas o filme não foca na guerra, e sim na luta pela sobrevivência e pela superação de todos os perigos que enfrentam. O enredo é muito bem explorado, e a história e o desenrolar do filme são muito interessantes e te prendem a atenção. Porém, o filme é muito longo, passando de 2h, e cansa às vezes, além de que poderia ser um pouco mais dramático. Ainda tem a cena final, que já é bem melancólica e interessante. Não é o melhor filme de Peter Weir, mas vale a pena assistir pelo desenrolar da história e pelas atuações. Filmes desse estilo me chamam bastante a atenção. Caminho da Liberdade tem previsão de estréia no Brasil para o dia 8 de Abril.




















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