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26 de abr de 2011

Entre a Fé e o Ceticismo


Volta e meia surgem filmes sobre exorcismos, que teve início por causa do clássico O Exorcista, de William Friedklin. Na minha opinião, o melhor filme sobre o tema é o excelente O Exorcismo de Emily Rose, lançado em 2006, porque ele mistura um julgamento judicial com uma possessão demoníaca, fazendo a gente decidir qual lado está certo. O filme dirigido por Friedklin é ótimo também, mas é muito fantasioso, apesar de ser bastante assustador. Ano passado, tivemos o péssimo O Último Exorcismo, filmado com uma câmera amadora e que não acrescenta nada de importante, sendo apenas mais um simples filme sobre o tema para ganhar dinheiro - e nem conseguiu muito -. O filme da vez se chama O Ritual (The Rite, 2011), estrelado por Anthony Hopkins, Colin O’Donoghe e pela atriz brasileira Alice Braga. O Ritual é baseado na história real de dois padres vividos por Hopkins e O’Donoghe.

Michael Kovack (Colin O’Donoghe) decidiu deixar seu passado e seguir com a vida para se tornar um padre. Quase no final do curso, ele decide abandonar, mas é mandado para Roma com a missão de estudar para se tornar um exorcista. Lá, ele conhece o padre Lucas Trevant (Anthony Hopkins), um exorcista ativo à vários anos, que está tratando de uma paciente grávida que diz estar possuída pelo demônio. Michael acha que tudo isso é besteira, e que as pessoas possuídas tem problemas psicológicos. Ele ainda conhece a jornalista Angeline (Alice Braga), que está escrevendo uma matéria sobre exorcismos e pede ajuda a ele. A cada tratamento, as situações pioram, e Michael terá que decidir qual lado escolher: a fé ou o ceticismo.


O Ritual tem todos os elementos típicos em um filme sobre exorcismo: água benta, cruzes, preces, corpos se retorcendo, suspense, aparições do espírito do mal, dúvida entre ter fé ou não ter, e até gatos. Todos os atores tem ótimas e convincentes atuações, principalmente o jovem ator Colin O’Donoghe. O Ritual tem um clima sombrio, ótimo suspense e diálogos super interessantes, que mostram as dúvidas que o quase padre Michael tem sobre a fé e, principalmente, sobre exorcismos. Ele faz questionamentos super interessantes, fazendo até a gente duvidar sobre o tema que o filme propõe (situação bem diferente no filme da Emily Rose). Michael não acredita em exorcismos, achando que as pessoas precisam de tratamento psicológico. Mas vai chegar a um ponto onde ele terá que acreditar nisso para salvar as pessoas. Ele tem um passado difícil, e isso é o que mais o afeta na decisão de se tornar um padre ou não, e essa experiência com exorcismos vai decidir o futuro dele. Todo esse drama do personagem já teve parecido em outros filmes do gênero, mas esse clichê não estraga o filme, que apesar das críticas negativas, é um ótimo filme.


O clima sombrio e as cenas de exorcismo ajudam a deixar o espectador aflito, ainda mais que uma das personagens possuídas está grávida. O diretor soube explorar muito bem esse polêmico tema, com um roteiro convincente e que te prende a atenção, sem ter cenas e situações ridículas, podendo fazer até o espectador pensar sobre o assunto; e só por fazer isso, o filme já vale o ingresso. O Ritual já entrou na minha lista dos filmes preferidos do gênero, abaixo da Emily Rose, claro. 
















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