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31 de ago de 2011

A revolução dos macacos


Considerado um marco da ficção-científica, Planeta dos Macacos (1968) começava a fazer história no cinema ao mostrar uma Terra dominada por macacos que falam e agem exatamente como os seres humanos; sem falar do final antológico do original. O sucesso foi enorme e rendeu  quatro continuações, lançada nos anos 70: De Volta ao Planeta dos Macacos (1970), Fuga do Planeta dos Macacos (1971), A Conquista do Planeta dos Macacos (1972), e A Batalha do Planeta dos Macacos(1973). Em 2001, o visionário diretor Tim Burton recriou o clássico e lançou Planeta dos Macacos (2001), com uma trama bem diferente da original e que foi bastante criticada. Atualmente, Hollywood investe em remakes que contam a origem de outros filmes, chamado de "Pré-Sequels", ou pré-sequência. O novato diretor britânico Rupert Wyatt foi designado para dirigir uma pré-sequência do filme original, mostrando como o planeta foi dominado pelos macacos. Eis que surge Planeta dos Macacos: A Origem (Rise Of The Planet Of The Apes, 2011) cercado pela maldição de ser um fracasso total, o que felizmente, não aconteceu: o novo filme da franquia está sendo considerado um dos melhores de toda a série. No elenco estão James Franco, Freida Pinto, Brian Cox, John Lithigo e Tom Felton

Will (James Franco) trabalha num laboratório que utiliza macacos em seus experimentos para criar curas para doenças. Ele é obrigado a cancelar todo o programa, e acaba ficando com um filhote de macaco recém nascido, cuja mãe havia recebido drogas especiais e teria ficado inteligente. Ao criar o símio, Will descobre que o gene modificado da mãe passou para o filhote, e Caesar (nome que dá ao macaco), se desenvolve brilhantemente e se acaba se tornando inteligente. Após ser afastado de seu criador, o símio Caesar começa a ficar com raiva, e junto com os outros macacos, começa uma revolução com a missão de fugir da prisão e dominar o planeta. 


No meio de tantas pré-sequências fracassadas, Planeta dos Macacos: A Origem se destaca, e acaba se tornando um dos melhores filmes do ano até agora. O filme nos passa toda a sensibilidade e tristeza sobre a trajetória do símio Caesar, criado longe dos outros macacos até ser o líder da revolução dos macacos na Terra. E por consequência, ele e os outros macacos são os que mais se destacam, deixando os seres humanos como coadjuvantes. Primeiro se deve ao fato dos efeitos especiais na criação dos macacos, principalmente a de Caesar, que está real e extremamente bem feita, mostrando a movimentação, os gestos e as feições perfeitamente, sem a necessidade da fala. Grande parte desse feito se deve a interpretação de Andy Serkis (que já interpretou o grandalhão King Kong no filme de Peter Jackson). Depois, toda a sensibilidade de Caesar, que nos deixa comovido e nos fazendo torcer para que ele e os outros macacos consigam escapar (sim, eu fiquei do lado dos macacos). O perigo foi grande ao deixar os macacos, ainda retratados como animais, comandarem o filme, mas as cenas com eles são as mais empolgantes e emocionantes do longa. Todos os atores estão brilhantemente em cena, apesar da passagem despercebida de Freida Pinto, e desempenharam muito bem seus papéis, mas são realmente os macacos que dominam o filme. Destaque para a atuação de James Franco e o pai de seu personagem, John Lithigo, que tem Alzheimer.


O enredo é super convincente e bem elaborado, transparecendo sensibilidade e emoção, principalmente nas cenas onde o macaco interage com o criador e a sua família: destaque para a cena onde Caesar defende o pai do personagem de Franco, além da cena onde ele ajuda o mesmo com a colher. E como dito antes, os efeitos em CGI utilizado nos macacos está sensacional, nos passando mais emoção ainda. Os cenários e a fotografia se destacam também, seja no laboratório, na escuridão da prisão dos macacos, e até nas cenas externas, onde mostra a felicidade e a liberdade sentida por Caesar ao entrar em contato com a natureza. A única coisa que senti falta foi daquele final revelador e chocante, como no filme de 1968, e até o final da versão de Tim Burton. Mas isso não estraga em nada o filme. O primeiro ato mostra o convívio de Caesar com os humanos. No segundo mostra a interação com os outros macacos, onde, brilhantemente, planejam a fuga da prisão; e por fim, o ato final, que mostra toda a ação que aparece no trailer, nos prendendo a atenção para saber como termina a história. A transição do amadurecimento de Caesar é um dos pontos mais fortes do filme e super interessante de se acompanhar, e acaba se tornando o grande astro do filme. 



Planeta dos Macacos: A Origem já pode ser considerado um dos melhores do ano, com um enredo vibrante, emocionante e convincente, nos levando à um clímax tenso, empolgante e repleto de ação, com destaque para os macacos gerados em CGI perfeito. Cada gesto e feição dos macacos é brilhante e muito bem feita, de deixar o espectador de boca aberta. É um daqueles filmes que vale a pena ser assistido no cinema para ter uma emoção muito maior. E um aviso importante: assim que acabar o filme, espere alguns segundos para assistir uma cena que mostrará com mais detalhes o que acontecerá com a humanidade, fato que ajudará os macacos a dominarem o planeta. O filme abriu em primeiro lugar com ótimos U$ 54 milhões, faturando até agora mais de U$ 150 milhões  nos EUA, totalizando U$ 307 milhões mundialmente. 

















Um comentário:

  1. Planeta dos Macacos: A Origem combina uma narrativa fantástica com o próximo salto da tecnologia de efeitos visuais, obtendo como resultado um filme com uma textura de ação e emoção inédita. O elenco do filme é Tom Felton, que recentemente apareceu no filme Risen, que é uma espécie de sequela do "Paixão de Cristo". Eu não sou um fã deste gênero de filme, mas eu gostei da perspectiva ateísta com uma estrutura narrativa realizada da maneira mais respeitosa, honesta e real. Vale a pena vê-lo como ele é uma adaptação do que acontece depois que Jesus ressuscita.

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