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20 de fev de 2012

Declínio de um ator


10 INDICAÇÕES AO OSCAR: MELHOR FILME, ATOR, ATRIZ COADJUVANTE, ROTEIRO ORIGINAL,  MONTAGEM, FOTOGRAFIA, DIREÇÃO DE ARTE, FIGURINO E TRILHA SONORA

Em época onde o 3D toma conta das salas de cinema, um filme preto e branco e mudo, está se destacando no  meio de todos, sendo um dos favoritos, alguns dizem que é o principal, ao Oscar de Melhor Filme: O Artista (The Artist, 2011). Sim, um filme preto, branco e mudo, com uma trilha sonora constante o filme todo e frases curtas que já falam por toda a cena, ação, lágrimas, risos, tudo moderadamente exagerado para demonstrar a cena. O longa do diretor francês Michel Hazanavicius é uma homenagem ao cinema mudo, não só por ter sido feito nas condições da época, e sim, por um simples fato de mostrar a transição do cinema mudo para o falado, mostrando a decadência dos grandes artistas do cinema mudo com esse importante fato do cinema. No elenco estão Jean Dujardin, Berenice Bejo, John Goodman, James Crowmel,  Penelope Ann Miller e o cachorro Uggy

George Valentim (Dujardin) está no auge de sua carreira do cinema mudo, e acaba conhecendo Peppy Miller (Berenice Bejo), uma simples garota, fan de George, que logo consegue fama no mundo do cinema. Mas o seu produtor, All Zimmer (Goodman) percebe uma grande mudança no cinema: a transição do cinema mudo para o falado. George, orgulhoso de seus filmes, não aceita essa mudança, acreditando que essa moda será passageira. Tempos passam e cada vez mais as pessoas preferem o cinema falado, levando George à falência e a depressão. 


Quem assistir O Artista, irá estranhar e achar um pouco entediante. Não que o filme seja ruim, mas pelo fato de estarmos acostumados com falas, cores e efeitos especiais. Embora tenha ficado cansado em algumas partes, é incrível como o filme consegue demonstrar as emoções vividas pelos atores; uma expressão vale mais do mil palavras. E não é complicado de entender o enredo, pelo contrário: é uma história simples, direta, honesta, com partes engraçadas, tendo o drama como principal elemento durante o filme todo. As atuações dos atores são espetaculares e iguais, em todos os detalhes, a dos atores do cinema mudo. Cada expressão, cada sorriso, cada risada; tudo perfeitamente original. Jean Dujardin e Berenice Bejo conseguem transportar o espectador para o cinema mudo, nos fazendo imaginar como era essa época do cinema. Eles tem atuações incríveis, e me surpreendi bastante com isso; são quase melhores do que vários dos indicados. Não deve ser fácil fazer um filme onde a expressão facial vale mais do que uma fala. E não se pode esquecer o querido, fofo e magnífico cachorro Uggy, amigo e parceiro de George Valentim em seus filmes, e na vida real. 


Mas O Artista não é o favorito ao Oscar desse ano só por causa de ser um filme mudo e preto e branco. Assim como A Invenção de Hugo Cabret é uma homenagem ao cinema, dedicado ao visionário Georges Méliès, O Artista também é uma homenagem ao cinema, mas agora, dedicando essa homenagem ao cinema mudo e sem cores, mostrando a decadência de um ator durante a transformação do cinema mudo para o falado. Acredito que esse seja o principal motivo para o favoritismo. O filme todo é sem falas e sem cores, com exceção de duas partes, que continuam em preto e branco, mas que dizem muito sobre essa grande mudança no cinema: em um pesadelo de George, ele está em um de seus filmes, e o som de passos, risadas, objetos batendo o fazem ficar assustado; além da cena final, terminando com chave de ouro a produção, apresentando menos de dez falas, e mostrando, não só a transformação do cinema mudo para o falado, mas também do surgimento dos musicais.

Para nós que vivemos numa época de efeitos especiais, é estranho assistir a um filme como O Artista, já que não estamos acostumados; já imaginou viver numa época onde não existia o 3D e nem cor e falas em filme? Veja o filme e descubra como era viver nessa época. Após assistir o filme, minhas dúvidas acabaram: O Artista será o grande campeão do principal prêmio do Oscar 2012














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